[Conferência] Os fenômenos atuais do Jornalismo

Por Raissa Pascoal

O conferencista francês, Erik Neveu, destacou que, hoje, os jornalistas estão confrontando uma série de mudanças. Estas colocam em questão o possível desaparecimento da profissão dos processos de informação.

Erik Neveu

Pode-se examinar três fenômenos que podem ser ameaças para o Jornalismo:

1. Fenômeno da profissionalização das fontes

As fontes não são passivas, elas tentam vender ao jornalista um material para ser divulgado. Uma das competências que os jornalistas tiveram de desenvolver foi desmontar a tentativa de golpes midiáticos. “Estamos penetrando o universo de ofícios que não são mais de tratamento, mas de retratamento”. As informações recebidas são processadas.

2. Concentração da imprensa e das mídias em volta de grupos poderosos;

O movimento de concentração das companhias de imprensa tem como conseqüência a pressão feita em cima dos jornalistas. Eles têm de valorizar os conteúdos editoriais que são mais rentáveis e que atraiam a atenção dos leitores.

3. Desenvolvimento da internet e os efeitos na profissão.

A internet reduz os custos e algumas invenções permitiram fazer um jornal sem jornalistas. “A influência da internet não é simplesmente acentuar tendências internas, mas modificar práticas profissionais do jornalista”. Essas práticas são chamadas de práticas de convergência. “Os jornalistas até então trabalhavam em mídias separadas”. A convergência é um meio de ter acesso a outros meios e isso é gratificante para alguns jornalistas. Para outros, no entanto, é um estresse permanente, pois produz um “jornalismo sentado”. “Os jornalistas estão saindo cada vez mais da redação”.

No final, Erik Neveu dá algumas pistas sobre o que os jornalistas e os estudantes de jornalismo podem fazer para reagir a esses fenômenos.

Para impedir a concentração das mídias, é preciso subvencionar as agências de mídia e fazer com que os jornais não estejam a serviço de algum órgão em particular. Por fim, encontrar formas cooperativas de trabalho, onde o jornalista não perde sua autonomia e capta a energia e contribuição dos amadores que estão na internet e nas agências de notícia, é uma maneira de garantir a permanência da identidade do Jornalismo.

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[Conferência] Erik Neveu fala sobre o ofício de jornalista

Por Raissa Pascoal 

Erik Neveu

Erik Neveu foi o segundo conferencista de hoje. Na conferência “Journalism and the public sphere in changing societies”, o palestrante falou sobre a definição de um jornalista e os fenômenos do Jornalismo.

Sobre o ofício do jornalista, Neveu diz que “não há uma definição eterna e universal, porque segundo os países, as tradições nacionais e suas relações entre o

jornalismo e o mundo das produções cultural, literária, econômica e política não são as mesmas”. As tradições específicas e nacionais marcam as diferentes maneiras do Jornalismo.

O palestrante fala que as práticas do Jornalismo variam de um país para o outro. O ponto em comum seria o esforço do jornalista em buscar os fatos onde eles não estão se repetindo. “No fundo o que o jornalismo nos diz é que não estamos falando qualquer coisa, mas que estamos atento à materialidade do que estamos dizendo”.

Além disso, o jornalista reivindica uma forma particular de autoridade.  É uma credibilidade que possibilita o profissional se consolidar como seletor e apurador da informação e do fato. Sua especialidade é saber apurar um fato específico com as pessoas certas.

Para finalizar definição geral do que é um jornalista, ele diz que não há Jornalismo sem uma especialização e o fato de ser um jornalista geral é uma forma de especialização. “Somos especialistas de generalidade”.

[Conferência] Contextualizar para ensinar

Por Yasmin Abdalla

Ibrahim Saleh, palestrante da primeira conferência do segundo dia do 7º SBPJor, explicou alguns desafios no ensino de jornalismo. O pesquisador egípcio explica algumas características do ensino na região de MENA (região que considera o Oriente Médio e a Africa do Norte – como Egito e Marrocos) e algumas tendências no resto do mundo. Saleh apresenta três níveis de estudo.

Ibrahim Saleh

1. Contextual: É preciso levar em consideração o contexto e as peculiaridades de cada local. Em especial, na região de Mena, há três pontos contextuais que afetam o jornalismo produzido no local. Primeiramente, a síndrome de três pontas: doenças, pobreza e analfabetismo – elementos que são considerados na seleção da notícia e na apuração dos fatos. Em segundo lugar, um contexto pós-colonialista que fragiliza a sociedade e permite que grupos armados se fortaleçam como líderes; isso impede o desenvolvimento livre do jornalismo e do seu ensino. E finalmente, uma crescente crise de identidade; em especial na região estudada, Ibrahim Saleh explica que o nacionalismo árabe está se dissolvendo e identidades individuais surgem nesse cenário (as pessoas não mais se proclamam árabes, mas egípcios, marroquinos, etc.).

2. Estrutural: O professor egípcio acredita que há uma insuficiência no mercado jornalístico e nas habilidades dos alunos da área. Saleh acredita que a mídia se acomodou. O pensamento crítico deu espaço ao entretenimento. Muitas vezes, a cobertura é feita por jornalistas “pára-quedistas” que não tem conhecimento cultural da região, nem percepção para cobrir uma historia corretamente como é a função de qualquer jornalista. Ele apresenta ainda a questão do desemprego (muito comum nos países de Mena e de outras regiões como a América do Sul). Quanto maior for o número de desempregados, maior será o auxílio do governo para essa classe e, portanto, há um controle cultural maior; as pessoas são menos críticas ao contexto ao seu redor.  

3. Funcional: O pesquisador discorda de um currículo de jornalismo unificado mundialmente. Cada lugar deve perceber suas peculiaridades e as adequar ao ensino. Entretanto, há um ponto que deve ser comum: possibilitar um link entre prática e teoria que resgate um jornalismo crítico e de qualidade. Ibrahim Saleh defende uma capacitação intensa do corpo docente como algo constante. Os professores e também os estudante devem constantemente renovar conceitos e procurar adequá-los ao contexto vivido. O professor discute a qualidade das universidades particulares no Egito, que não permitem um desenvolvimento do corpo docente, e por consequência, limitam o senso crítico de seus alunos.

[Conferência] Para entender o Gatekeeping

Todos os dias, acontecem milhares de eventos pelo mundo. Porém, apenas alguns chegam aos leitores. Há um processo de seleção, que escolhe aquilo que vai virar noticia ou não. É justamente essa seletividade queIMG_1555 a Teoria do Gatekeeping estuda.

Pamela Shoemaker, conferencista desta noite de quarta-feira, explicou cinco metáforas para entender esta teoria.

A primeira é a do próprio portão (gate, em inglês), pelo qual as informações entram ou não. Mas é impossível dissociar este do porteiro (gatekeeper). É ele quem realmente determina o conteúdo do que passará pelo portão. Jornalistas e editores são bons exemplos de gatekeepers nas organizações de notícias: a decisão deles tem um grande peso não só na seleção das notícias para o jornal, mas também no enfoque que será dado a elas. Já no meio digital podemos citar o buscador Google. Por meio de um complexo algoritmo matemático, ele seleciona aquilo que deve ser exibido em sua página.

Shoemaker também fala da existência de forças, que podem facilitar ou dificultar o processo de captação da noticia. Dessa forma, elas contribuem para que uma matéria seja bem ou mal sucedida. As outras duas metáforas são os canais e as sessões, onde ocorrem os movimentos de informação. Os canais são os meios pelos quais a informação chega aos jornais – geralmente, as fontes.