[Sessões] Comunicações livres 7 – O Jornalismo e seu leitor

Por Lucas Tófoli

O que seria do jornalismo sem o seu leitor? E qual o papel dele no jornalismo atual? Essa foi a discussão da sessão Comunicações Livres 07, na manhã de sexta-feira, último dia do 7ºSBPJor

Todos os trabalhos apresentados na sala tratavam, de alguma forma, a questão do leitor. E as discussões esquentaram: “Que tipo de redação vou ensinar aos meus alunos pensando que o jornal mais vendido do Brasil é o SuperNotícia [jornal sensacionalista mineiro]?” Levantou uma das expectadoras da sala. “Quando trabalhei no Agora, escrevia para um taxista. Essa imagem ficou muito forte na minha cabeça”, disse outra participante.

Leitor que lê

Essas questões foram levantadas na apresentação de Rafael Duarte Oliveira Venancio, com a apresentação “Jornalismo popularesco e a massa como audiência: reflexões na pragmática do leitor-modelo”. O mestrando da ECA-USP tem analisado as primeiras páginas de quatro Jornais: Agora, Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde e Estado de S. Paulo. O principal objeto de pesquisa de Rafael são os jornais popularescos e o leitor-imaginário por trás deles. Do que observou, disse que 90% do jornal Agora é constituído de matérias de microeconomia, esportes e violência.  Nas capas, as chamadas não falam de dinheiro, mas sim de ‘grana’, de ‘sua grana’, no que afeta diretamente o bolso do leitor.

Outra pesquisa que trata do leitor no seu ato de leitura é “O leitor (totalmente) imaginário do jornalismo infantil”, de Thaís Helena Furtado. A professora da Unisinos analisou a seção “Para seu filho ler”, do jornal gaúcho Zero Hora.

Leitor que fala

A pesquisa de Laura Strelow Storch envolve 2000 comentários em 3 grandes portais jornalísticos, ouvindo – ou melhor, lendo – o que os leitores têm a dizer. “Através dos fragmentos, pela leitura, eu sou capaz de aprender a aprender”, disse a pesquisadora em sua apresentação. Os comentários fornecem novas fontes para as matérias, correções e até sugestões editoriais, porém, nem sempre são aproveitados por jornalistas ou editores.

Numa linha parecida, as professoras da Universidade de Santa Cruz do Sul, Fabiana Piccinin e Ângela Felippi, coordenadora da sessão, apresentaram “Convocações (estratégicas) ao leitor: notas sobre a complexificação do jornalismo contemporâneo no Grupo Gazeta do Sul”, sobre como o jornal Gazeta do Sul ‘convoca’ seus leitores a participarem do jornal.

Por fim, Graciela Natansohn com sua pesquisa “Revistas online, redes sociais e leitura”, que mostra a ‘revista’ como um conceito que preenche não só as bancas de jornal  mas também diversos espaços virtuais, de sites a redes sociais.

[Sessões] Coordenada 8 – Ensino do Jornalismo digital

Por Nathália Monteiro

A Sessão Coordenada 08 tratou do ensino do jornalismo digital em tempos de convergência. Foram três palestras relacionadas entre si. A ideia era estudar os cursos de jornalismo mais antigos de diferentes locais do Brasil e identificar as particularidades da incorporação de mídias digitais nas respectivas grades curriculares. Os palestrantes abordaram universidades dos estados de Santa Catarina, São Paulo e Paraná.

 O ensino em tempos de convergência: o caso do jornalismo da UFSC

Elias Machado, Francisco Karam e Tattiana Teixeira

Machado aborda as reformas curriculares pelas quais passou o curso de jornalismo e mostra a incorporação de disciplinas relacionadas ao jornalismo digital ao longo do tempo. A inclusão de tais matérias na grade curricular começou em 1996, com ‘Editoração Eletrônica’ e ‘Introdução à Informática’.

O pesquisador define o curso catarinense como ‘atualizado’, ou seja, com um perfil de formação tradicional que acrescentou matérias teóricas e/ou práticas acerca do jornalismo digital.

 O ensino do jornalismo digital: conteúdos curriculares e perfis profissionais

Elizabeth Saad Corrêa, Lia Raquel L. Almeida

A professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) Elizabeth Saad Corrêa expôs os resultados da pesquisa feita em São Paulo. As faculdades analisadas deveriam ser a Faculdade Cásper Líbero, a UNIFAM e UNIP. Ironicamente, a ECA não seria objeto de pesquisa nesse primeiro momento, mas a proximidade da faculdade em relação aos pesquisadores fez com que ela se tornasse prioridade.

A última reforma curricular radical realizada no curso de jornalismo da ECA aconteceu entre os anos de 1986 e 1987. Segundo Corrêa, o curso é “tradicional e procura se adaptar”. Discute-se muito no Departamento de Jornalismo e Editoração a respeito do que é o ensino do ciberjornalismo e como implementá-lo na USP, mas pouco se faz. As técnicas e os conceitos atuais do jornalismo são aplicados paralelamente ao curso tradicional, e não integrados a eles.

Diante disso, os professores exploram as vontades e as necessidades de seus alunos, que já chegam à universidade com expertise em relação ao novo mundo da digitalidade.

 O ensino do jornalismo digital e as práticas de convergência: análise de disciplinas e formação docente

Adriana Amaral, Claudia Quadros e Kati Eliana Caetano

Adriana Amaral deu continuidade à exposição dos resultados da pesquisa e contou o que descobriu em três universidades curitibanas: PUC-PR, UFPR e UTP. O estudo concluiu que as escolas devem ter muita cautela na hora de atualizar seus currículos.

Comparando os currículos das três faculdades, tem-se que uma delas foca nos aspectos teóricos do jornalismo digital, outro, os práticos e a última apresenta um equilíbrio entre os extremos. Por motivos éticos, os pesquisadores não identificaram quais eram as instituições.

[Sessões] Coordenada 7 – As narrativas jornalísticas

Por Raissa Pascoal | raissapascoal@gmail.com

A conversa sobre as narrativas e as representações que elas carregam gerou uma longa discussão entre os pesquisadores da Sessão Coordenada 7 – “Narrativas Jornalísticas: dos contratos de comunicação ao paradoxo da incomunicabilidade e do não dito”, coordenada por José Luiz Aidar Prado. Os integrantes da mesa só interromperam a discussão por conta do horário excedido.

 Luiz G. Prado, na Universidade de Brasília (UnB), apresentou o artigo “Narrativas: representação, instituição ou experimentação da realidade?”. A proposta era questionar o que se chama de narrativas jornalísticas e quais os modos de construí-las.

 Prado destacou três formas de narrativas: como representação, como instituinte da sociedade e como forma de experiência da realidade.

 1-       Como representação

Nesta classificação de narrativa, o professor trabalha a narrativa como “histórias que representam a realidade, as relações sociais”. Aqui, Serge Moscovici, psicólogo romeno, é citado para falar das representações como sistemas de valores, idéias e práticas, que nos permitem classificar, nomear e estabelecer uma ordem ao mundo.

  As narrativas são a projeção virtual do mundo pelo discurso, através da linguagem. Prado usa o termo “empalavrar” para explicar que narramos em função de “estratégias comunicativas”. A narrativa tem sentido de uso e que realiza o efeito de mudança de estado. Essa intenção é atingida pelo jogo da linguagem. Prado exemplifica com as histórias contadas por uma mãe ao filho. O efeito pretendido é apaziguar a criança, fazê-la entrar no estado de sono.

 2- Como instituinte da sociedade

As narrativas, nesta óptica, não representam nada, apenas instituem o real. Enquanto narramos, construímos o mundo. Prado cita Cornelius Castoriadis, expoente da filosofia francesa, que diz que o imaginário não é imagem de nada, não é a representação, mas aquilo que gera a realidade. Esta não é apenas física, mas também de tudo que é simbólico.

 O professor português João Maria Mendes, também citado por Prado, diz que “a narrativa, mais que a linguagem, é o instrumento fundamental da constituição e instituição do mundo para o sujeito e sociedades humanas, e desempenha essa função antes mesmo de sua divisão em narrativa de realidade e narrativa ficcional”. Essa colocação foi criticada, posteriormente, por Mayra Rodrigues Gomes, integrante do grupo. “O problema é que [a narrativa] anteceda a palavra”, disse Mayra. A questão levantada pela pesquisadora é que a própria palavra já é uma narratividade do mundo. O isolamento de campo, ao qual a palavra é submetida, carrega-a de significado além do denotativo.

 3- Como experimentação da realidade

As narrativas nos permitem experienciar o mundo. Hoje, a nossa experiência passa pelo mundo e interage com o senso comum. Prado diz que “as pessoas entram e saem constantemente do fluxo midiático, filtram referenciais da realidade e refazem o senso comum”.

 José Luiz Aidar Prado, coordenador da Sessão, disse que para ele “analisar a narrativa como experiência da realidade, acrescenta muito mais e faz com que a narrativa tenha uma aspecto social mais relevante”.

 Fernando Resende, da Universidade Federal Fluminense (UFF), expôs seu trabalho, fruto de seu doutorado. Com o título “O jornalismo e suas narrativas: as brechas do discurso e as possibilidades do encontro”, Resende problematiza a narrativa como lugar de produção de conhecimento no Jornalismo.

 O pesquisador começou pelo processo de produção da narrativa, tomando a análise do “quem” e do “como”, ou seja, de quem fala e como fala. Ele citou exemplos de narrativas e tentou trazer algumas experiências e análise. A intenção era mostrar a relação do conteúdo com a forma e que o processo de produção jornalística está ligado ao fazer jornalístico.

 Resende levantou pressupostos e hipóteses. Uma delas foi a de Paul Ricoeur, filósofo francês. Um discurso é um lugar onde o acontecimento se configura em sentido, através de processo que gera lacunas ao mesmo tempo em que se nutre dessas faltas. Para Márcia Benetti, o discurso jornalístico não é transparente, ele é pleno de possibilidades de interpretação. Unindo as duas hipóteses, tira-se que o leitor que completa essas lacunas e dá o sentido ao discurso.

 O pesquisador da UFF discorreu sobre as narrativas midiáticas.  Para ele, os estudos da linguagem têm um papel relevante à medida que recupera o que ficou apagado nos estudos da comunicação. Assim, a narrativa pode revelar valores, legitimações, representações e falas.

 Por fim, as narrativas jornalísticas foram apresentadas como possuindo três níveis que devem estar presentes: “o quê”, “quem” e “com”. Os dois últimos níveis representam a forma da narrativa. Já “o quê” representa o conteúdo, importante para pensar o jornalismo. Isso torna o estudo da narrativa relevante para o estudo do Jornalismo.

 Coordenador da Sessão, Aidar apresentou o seu artigo “Dispositivo midiático e modalização convocadora: a construção do ‘a mais’ em revistas segmentadas”. As revistas analisadas foram Men’s Health, Woman’s health e Claudia. Aidar discute sobre o enunciador que narra para que o enunciatário, que espera alguma coisa, evolua para uma situação melhor, consiga o “a mais” em sua vida, que é o ser, o ter, o saber e poder mais na vida.

 Cláudia Lago apresentou o artigo “Nós e o diploma: representações no campo jornalístico”. Cláudia diz que “todos operamos em campos, que são construções conceituais que nós fazemos. São locais marcados pela lógica de disputa”. Para ela, as pessoas lutam para legitimar suas bagagens, suas formas de se colocarem no mundo.

 A pesquisadora cita Pierre Bourdieu, sociólogo francês, que defende o uso cauteloso do que é proposto para o campo jornalístico. Para ele, o campo jornalístico, submetido à lógica de audiência, influencia outros campos, podendo exercer efeitos perversos.

 A principal questão posta por Cláudia Lago, no entanto, é como as pessoas se organizam dentro da situação da queda do diploma. Ela analisou textos postados no Observatório de Imprensa por pessoas que se consideravam jornalistas, jornalistas profissionais com carteirinha, jornalistas profissionais sem carteirinha e outras profissões.

 Os textos exprimem opiniões da maioria que são contra a queda do diploma, mas também de alguns a favor, que, segundo Cláudia, são de outros campos profissionais. A pesquisadora mostrou-se incomodada com o descomprometimento com os fins sociais das empresas e da contradição existente entre isso e o propósito do jornalista. “A empresa é um agente do capital, o jornalista é um paladino da defesa da democracia, no entanto, o jornalista, paladino da defesa da democracia, trabalha na empresa, agente do capital. Há um paradoxo nessas falas”.

 Cláudia Lago também falou sobre o que legitima uma pessoa ser jornalista. Ela acredita nas características inatas, que é a vocação, mas também acredita na necessidade da passagem pela universidade para a formação humanística, espírito crítico e ética.

 Cláudia diz que temos que refletir o Jornalismo no nosso campo acadêmico e refletir sobre os discursos que são colocados, porque as falas são representações que acabam chegando a ato. “Discurso não é só fala, porque discurso também vira ato”.

 João Osvaldo Schiavon Matta, no artigo A Boa Forma e o Orkut: “ecos” narrativos”, trabalha a questão do consumo. Pega de exemplo as revistas impressas que possuem os conteúdos ligados à questão do sucesso, do corpo ideal, como é o caso da Boa Forma. Outro ponto levantado é a legitimação de ações, como dietas, que são legitimadas pelos discursos de celebridades.

 O último artigo apresentado foi de Mayra Rodrigues Gomes, chamado “As representações nas revistas de negócios”. A pesquisadora começa dizendo que o Jornalismo é um grande esboço das relações de poder. Tomando três revistas para realizar o exercício, Época Negócios, Exame e Você S/A, a proposta é analisar todas as representações e o que elas tentam dizer. Como é o caso das vestimentas dos fotografados, o ângulo da foto, o ambiente, entre outros.

[Sessões] Coordenada 6 – Telejornalismo em foco

Por Lucas Rodrigues

Fontes, público, entrevista… Os principais elementos dos telejornais foram o tema da Sessão Coordenada 06, na sala 38 do CJE. No último dia do evento, os trabalhos buscaram debater o papel do expectador na produção do telejornal, a qualidade da notícia nesse gênero, a influência das novas mídias no processo da prática do telejornalismo, entre outras questões.

 A sessão foi coordenada pelo professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Flávio Antonio Camargo Porcello, que, ao final das apresentações, promoveu um debate entre os pesquisadores. A discussão girou em torno do poder de mediação e intervenção do jornalismo no poder público. As controvérsias se focaram, porém, em outra questão: afinal, o jornalista é capaz ou não de ordenar o mundo?

Interação e credibilidade

O primeiro trabalho, “O telejornalismo: o lugar de referência e a revolução das fontes”, exposto por Alfredo Vizeu e Fabiana Cardoso de Siqueira, fez uma análise da crescente função das fontes e testemunhas no processo produtivo do telejornal, enquanto bem social. 

A pesquisa mostrou que, devido às novas tecnologias, as pessoas têm cada vez mais acesso e facilidade em participar da produção da notícia. “Existe uma proximidade cada vez maior entre o jornalismo e o público”, afirmou Fabiana. O jornalista, nessa questão, faz o papel de mediador: recolhe, seleciona e apresenta essas informações.  

Em contrapartida, Beatriz Becker, com “Jornalismo audiovisual de qualidade: um conceito em construção”, explicou que é necessário cautela ao utilizar esses recursos. Para ela, “os usos são muito aquém do que a gente poderia considerar como jornalismo de qualidade”. Outra questão levantada por Becker diz respeito à confiabilidade desse material: “Até que ponto essa participação contribui com a credibilidade da notícia?”, perguntou.

Além disso, a palestrante discorreu sobre os modos como as ferramentas de hipertexto estão sendo utilizadas para o processo de criação das imagens no jornalismo. Um bom exemplo que apresentou é do site do jornal espanhol Clarín, que preparou um especial sobre o escritor Jorge Luis Borges.  

 Fundamentos do telejornalismo

As exposições seguintes discutiram diversos componentes do gênero telejornalístico. “O âncora: um mediador entre a notícia e a nação”, por Célia Ladeira Mota, fez um estudo da função desse profissional na construção do discurso do programa e da responsabilidade que ele tem em relação ao sucesso do mesmo. Célia analisou, ainda, as tendências que ameaçam os padrões do telejornal, a partir das novas necessidades do público. De acordo com ela “o modelo Hard News está fadado a desaparecer”.

 “A entrevista no telejornalismo e no documentário: possibilidades e limitações”, de Christina Ferraz Musse, procurou debater a importância e as especificações da entrevista feita por telejornalistas, além de comparar o elemento nas reportagens e nos documentários.

Christina apontou que as falas recortadas no telejornalismo são muito superficiais e que isso se deve à “domesticação” das redações, consequência das condições de trabalho do jornalista. Segundo ela, “a pauta ficou burocrática por causa do pouco tempo”.

 No trabalho “Telejornalismo e Poder nas eleições: A estratégia discursiva da cobertura de TV sobre a doença de Dilma”, Flávio Antonio Camargo Porcello e Débora Thayane de Oliveira Lapa Gadret analisaram a abordagem da cobertura da doença de Dilma Roussef. A partir de suas aparições no Jornal Hoje, Jornal Nacional e Bom Dia Brasil, puderam perceber a humanização da imagem da ministra e a abertura do debate político sobre sua candidatura à presidência.

 O último trabalho, apresentado por Iluska Coutinho, “Público e identidade no Telejornalismo Brasileiro”, explorou a relação entre o público e o telejornalismo no Brasil. Partindo da pergunta “como é feita a aproximação do público com o telejornal?”, Iluska explicou que as pessoas estão mudando seus hábitos e adquirindo outros costumes. “As pessoas estão desligando a televisão e assistindo o jornalismo audiovisual em outros suportes”, completou. 

[Sessões] Coordenada 5 – Meios alternativos e expressão social

Por Beatriz Amendola

jornalismo Com trabalhos realizados pelo Grupo de Pesquisa de Jornalismo Popular e alternativo (Alterjor) da ECA/USP, a Sessão Comunicações Coordenadas 05 teve como tema Jornalismo alternativo: conceito e experiências. Coordenada por Dennis de Oliveira, professor do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA, a mesa teve suas discussões pautadas pelo embate entre os meios hegemônicos e a práxis jornalística alternativa.

O coordenador foi o primeiro a se apresentar, com o trabalho Jornalismo Alternativo, o utopismo iconoclasta. Ele iniciou com a constatação inicial do afastamento entre o jornalismo mainstream e os princípios básicos do jornalismo. Devido a essa distância, os jornais perdem a sua função de fomentar a esfera pública e aproximam-se dos valores da esfera econômico-privada, transformando a sociedade em mercado e o cidadão em indivíduo.

Nesse cenário, o alternativo teria o papel de exercer uma postura constantemente crítica e reconstruir a esfera pública. Dessa forma, a idéia de utopismo iconoclasta pressupõe que, a partir dessa postura, possa se atingir uma mudança social.

Em Imagens híbridas: o uso da fotografia, áudio, texto e vídeo na produção de documentários jornalísticos, Egle Muller Spinelli refletiu sobre o papel da utilização de diferentes recursos nos documentários. De acordo com a docente, isso enriquece o conteúdo do audiovisual, de forma a produzir um produto hibrido com narrativa única e conteúdo intensificado. Como exemplo, foram citados o documentário Bom Bagay Haiti, a seção Digitais do site da revista Brasileiros e O dia de um desempregado, produzido pelo Portal UOL. Nos três, pode-se verificar o uso de fotografias aliado ao emprego de sonoras e legendas.

Gisele Sayeg Nunes Ferreira expôs o artigo Remediações e reconfigurações do radio na web. A partir dos estudos de três emissoras web (Rádio Livre Muda, Rádio Comunitária Curumim FM e Rádio Jovem Pan), a professora problematizou o conceito de rádio na internet, questionando a transposição das noções e nomenclaturas do meio analógico para o digital.

No quarto trabalho apresentado, Rádio universitaria: repórteres contra a padronização da noticia, Luciano Victor Barros Maluly refletiu a respeito do ensino das disciplinas de rádio nas universidades. Ele ressaltou a importância das rádios universitárias como espaço flexível de aprendizado, que permita a atuação do aluno como sujeito e o surgimento de pautas novas, geralmente não abordadas pela grande mídia.

Por sua vez, Luiza Lusvarghi comentou a nova mania mundial em Twitter, o admirável jornalismo novo. Inicialmente utilizado como meio de contra-informação, o microblog tem sido cada vez mais explorado pela grande imprensa. Conseqüentemente, ele ganhou mais credibilidade e perdeu um pouco de seu caráter alternativo, de forma a potencializar a tendência ao infotenimento.

Vinicius Souza encerrou a sessão com o artigo Imaginar Revolucionar: estratégias para influenciar e influir nos fluxos da informação. Ele discutiu a questão da diferença entre os fatos amplamente divulgados e aqueles reduzidos a notas de rodapé, com pouca ou nenhuma publicidade. Como exemplo, ele citou o Holocausto: sabe-se que 6 milhões de judeus morreram, mas em relação aos ciganos há apenas dados imprecisos. Dessa forma, as mídias alternativas exerceriam um forte papel na inclusão de novas informações no imaginário coletivo.

Atividades do último dia do 7º SBPJor

O terceiro dia do 7º SBPJor começou com mais salas de Sessões Coordenada e Livres.

No período da manhã e da tarde acontecem as Sessões nos prédios CJE, CRP e CCA, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

A Assembleia de posse da nova Diretoria do SBPJor acontece às 18h, no Auditório Freitas Nobres no Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) da ECA-USP. O Encerramento será em seguida, no mesmo local.

 27 de Novembro – Sexta-feira – 8h30 – 12h30

 Sessão Coordenada 5 – “Jornalismo alternativo: conceitos e experiências” (Coordenador: Dennis de Oliveira)

Sessão Coordenada 6 – “A televisão digital: os novos desafios ao telejornalismo” (Coordenador: Flávio Antonio Camargo Porcello)

Sessão Coordenada 7 – “Narrativas jornalísticas: dos contratos de comunicação ao paradoxo da incomunicabilidade e do não dito” (Coordenador: Jose Luiz Aidar Prado)

 Sessão Coordenada 8 – “O ensino do jornalismo digital em tempos de convergência” (Coordenadora: Kati Eliana Caetano)

Sessão Comunicações Livres 07 (Coordenadora: Ângela Felippi)

Sessão Comunicações Livres 08 (Coordenador: Leonel Aguiar)

 27 de Novembro – Sexta-feira – 14h – 18h

Sessão Coordenada 9 – “IV Mesa Coordenada Rede JorTec – Tecnologias de Comunicação Digitais e Sistemas Gerenciamento” (Coordenadora: Carla Schwingel)

Sessão Coordenada 10 – “Narradores e narrativas: jornalismo na contemporaneidade” (Coordenadora: Marta Regina Maia)

Sessão Coordenada 11 -“Ética e Qualidade no Jornalismo Brasileiro” (Coordenador: Victor Gentilli)

Sessão Coordenada 12 –  “Acontecimento Jornalístico – 2” (Coordenadora: Virginia Pradelina da Silveira Fonseca)

Sessão Comunicações Livres 09 (Coordenadora: Mônica Celestino)

Sessão Comunicações Livres 10 (Coordenador: Emerson Urizzi Cervi)

Sessão Comunicações Livres 11 (Coordenador: Márcio Serelle)

Sessão Comunicações Livres 12 (Coordenadora: Luciana Mielniczuk)

Sessão Comunicações Livres 13 (Coordenadora: Márcia Franz Amaral)

Sessão Comunicações Livres 14 (Coordenador: Mozahir Salomão Bruck)

Sessão Comunicações Livres 15 (Coordenador: Luís Mauro Sá Martino)

 A programação completa está disponível no endereço http://sbpjor.org.br/evento/?page_id=150 .

Todos os artigos discutidos estão disponíveis no CD junto com o material aos participantes.

[Sessões] Comunicações livres 6 – Espaços midiáticos alternativos

Por Yasmin Abdalla

A sala coordenada 06 discutiu algumas mídias alternativas que buscam leitores mais críticos ao grande circuito comercial. Os debatedores discutiram características, tendências e conteúdos de veículos como o Brasil de Fato e o Observatório de Imprensa.

O jornal Brasil de Fato: a construção de um meio de comunicação popular
Ana Maria Straube de Assis Moura

Ana Maria analisa a linha editorial do Brasil de Fato, desde sua fundação até os dias atuais. Ela começou abordando o processo de abertura do jornal. O grupo fundador pensou em como seria ter um jornal de esquerda comercialmente viável. Eles acreditavam que o jornal deveria nascer semanal e depois se tornar diário. Que teria uma vocação de massa, uma grande tiragem e seria veiculado nacionalmente. Ana Maria deixa caro que a função originaSala 8l do Brasil de Fato não era se tornar panfletário. Apesar de dar espaço aos movimentos sociais, ele não deveria dar a voz a um único partido, deveria ser plural nesse sentido. A debatedora expõe ainda algumas fases da publicação, e acredita que o jornal precisa investir em logística, em especial como distribuí-lo e divulgá-lo.

Caso Abílio Diniz: libertação do empresário, produção da opinião pública e promulgação da Lei de Crimes Hediondos.
Diana Paula de Souza

O case apresentado leva em consideração a força de grandes jornais como Folha de São Paulo, O Globo e o Jornal do Brasil perante instituições públicas legislativas. A debatedora divide o caso como uma narrativa, conflito, clímax e o “happy end”. Ela expôs um detalhado estudo sobre o conteúdo de editorias, carta aos leitores e reportagens que incluíssem o caso Abílio Diniz do fim dos anos 80. Caso que originou a lei de Crimes Hediondos. Diana acredita que se houve realmente alguma influencia da mídia na instauração da lei, ela foi construída em suas reportagens (devido ao pequeno número de editoriais sobre o assunto). A debatedora cita alguns trechos do Globo com forte apelo emocional: “Diniz vou recebido com uma salva de palmas e gritos de alegria…” / “A emoção tomou conta dos Diniz, eu feliz não conseguiram conter as lágrimas”.

Promessas de participação nos observatórios mediáticos na America Latina
Moisés Carvalho Brito

Moisés ainda em construção total de sua pesquisa prevê nesse artigo analisar a relação das pessoas com os observatórios de mídia, e como esses veículos pretendem formar o que eles chamam de leitores pró-ativos.  O pesquisador expõe que esse processo de observatórios ainda é processo muito novo, com no máximo 25 anos, e ainda tem um futuro incerto. Ainda engatinham em busca de uma maneira de trabalhar e um modo de trabalhar sustentável. Em busca de uma resposta do que seria um leitor participativo, Moisés analisa grandes nomes da educomunicação como Paulo Freire. Como ponto principal na sua apresentação, não acredita que os observatório são caracterizados como webjornalismo participativo, “eles ainda estão na web 1. 0 – ainda são puramente informativos”, diz o professor.

 Por que caminhos metodológicos trafegam dos observatórios de mídia?
Nisia Rizzo de Azevedo

Já Nisia trabalha o posicionamento dos observatórios de imprensa e o seu possível modo de trabalhar. Acredita também que esses veículos são espaços ainda experimentais. Nesse artigo, analisa especificamente o Observatório de Imprensa (OI). A pesquisadora acredita que cada vez mais esses observatórios promovem estudos comparativos, priorizando jornais de grande circulação. Esses espaços têm como propostas expor contra-frames, novos enquadramentos que tentam preencher a lacuna da grande mídia, em prol de um jornalismo mais eficiente na veiculação de informação. Geralmente, apresentam um enquadramento temático, o que a reportagem deveria ter e ser.

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