[Sessões] Comunicações livres 9 – Jornalismo: você lembra disso?

Por Felipe Marques

O que significa ser um país “desenvolvido”

Dinheiro é tudo?

Conferência: A memória do desenvolvimento socioeconômico – Veja e Carta Capital – 1996 à 1998

Desenvolvimento socioeconômico é um conceito cheio de nuances – por exemplo, desenvolver-se como sinônimo de crescimento econômico. Portanto, diferentes publicações constroem o conceito de desenvolvimento econômico de maneiras a cumprir sua própria agenda – escolhendo o que precisa ou não ser lembrado para dizer que um país é ou não desenvolvido. Uma anedota para esclarecer a amplitude dessa questão foi contada por Maria Lucia Jacobini, no SBPJor. Ela lembra de uma matéria que dizia  que o Brasil não chegava aos pés do desenvolvimento na Suiça por não ter tantos celulares quanto o país – hoje o Brasil tem, mas será que ele é desenvolvido?

As conclusões, tiradas da análise das revistas Veja e Carta Capital é que se entende o desenvolvimento socioeconômico com crescimento e modernização. O fim da inflação, as recomendações do FMI, o consumo são termos atrelados à essa discussão
  
História e Jornalismo: um casal nem sempre feliz

História e Jornalismo: união conturbada

 
 
Conferência: Fronteiras entre jornalismo e história: por uma reflexão sobre as relações entre os dois campos em evolução

O casal jornalismo e história vive um relacionamento de “gata e rato”. Na apresentação de Monica Celestino, houve uma verdadeira terapia de casal sobre as relações dos dois campos – o que eles têm em comum, o que é irreconciliável, os preconceitos e o que um par pode ensinar ao outro.

Monica cita como “filhos” dessa relação o surgimento de obras de ficção com fundo histórico, de obras históricas trabalhadas por jornalistas – como 1808 de Laurentino Gomes (sucesso de venda e execrado por muitos círculos de historiadores) – e de publicações que trabalham a história, como a “Aventuras na História” da Editora Abril.

Apesar desses símbolos de união, são muitos as reservas dos profissionais de um campo em relação ao outro – especialmente por parte de historiadores, que criticam a falta de rigor científico na hora de elaborar reportagens.

Divergências à parte, existem entre a história e o jornalismo coisas que os unam como um bom casal, especialmente com o surgimento da “Nova história”, corrente de pensamento do início do século 20. Essa nova escola de pensamento passa a admitir o fato histórico – assim como o fato jornalístico – como uma construção, algo intimamente ligado às idéias e aos objetivos de quem escreve. É a velha discussão entre objetividade e subjetividade – cadeira cativa nas escolas de jornalismo e história. Outra característica é o uso de novas fontes históricas, mais próximas das jornalísticas, entre elas a imprensa e relatos orais. A “Nova História” permite, como é praxe no jornalismo, que a história do cotidiano de um indivíduo possa ser aplicada para a história da sociedade à que ele pertence
  
Comemorar a Era Vargas – o que a mídia quer com isso?

“Toda comemoração pública é um ato político”


 
Conferência: Jornalismo comemorativo: fatos históricos da Era Vargas relidos por Veja de 1968 à 2008

De janeiro à Junho, as revistas Época, Veja Istoé e Carta Capital produziram juntas 3084 matérias. Dessas, 70% das matérias faziam remissão à um fato histórico, acontecido antes de 1995.

A discussão sobre o papel do passado no jornalismo – atividade que se destaca pela atenção ao presente – foi apresentada por Eliza Casadei, que discutiu o jornalismo comemorativo, direcionado à Era Vargas. Eliza analisou matérias que retomavam a Era Vargas na revista Veja, de 1968 à 2008.

“Toda comemoração pública é um ato político” – aponta Eliza. A época em que é publicada afeta diretamente a abordagem da matéria. Antes da ditadura, as matérias comemorativas sobre a Era Vargas, em geral, traziam uma reencenação do evento – com tons dramáticos. Durante o Regime Militar, as matérias enfatizavam o fim do Estado Novo, de forma a fazer crítica ao regime. Nesse recorte, a memória tem um papel de moldar o futuro.
 
“Binômio”, um jornal 99% independente (e com 1% de ligações perigosas)

"Binômio" - humor nem sempre é transparente

 
Conferência: Binômio: humor e política em um jornal quase independente

“O Binômio energia e transportes”. O slogan de Juscelino Kubitchek, que o elegeu ao governo de Minas Gerais, prometia levar o estado à uma nova era de progresso.  Se a eficácia real da frase é discutível, um dos seus resultados mais notáveis foi a criação do jornal “Binômio” – que dizia trazer em suas páginas o verdadeiro “binômio de JK: sombra e água fresca.

Alexandre Nonato – que apresenta na SBJor trabalho sobre a publicação –  chegou ao Binômio acidentalmente. E achou que seria uma boa idéia resgatar aquilo que a extinta publicação, pouco conhecida fora de Minas Gerais, representou para o jornalismo brasileiro. O jornal se dizia um órgão quase independente” . José Maria Rabelo, um dos fundadores do jornal dizia “Temos 99% de independecia e 1% de ligações suspeitas”. Entre os colaboradores do jornal, destacam-se Ziraldo, Fernando Drummond (autor de Hilda Furacão) e Millôr Fernandes.

Surgido em 1952 e extinto em 1964, o Binômio é um jornal alternativo de caráter fortemente político – uma das principais controversas era a afiliação do jornal à UDN.

O “Binômio” é um dos precursores da Imprensa de resistência, aquela que no Regime Militar, usará a ironia e o humor para crítica política. “Binômio” é anterior ao Regime – e por isso é pai de publicações como o “Pasquim” e o “Pif Paf”. Jornais de humor e ironia não precisam estar atrelados a períodos de repressão política – a publicação surgiu numa época democrática.

Apesar disso, seu destino foi resultado da repressão da ditadura que fechou o jornal.
Entre os episódios notáveis, estão obras de humor e reportagens investigativas. “Juscelino foi a Araxé e levou Rolla” (o Rolla era um investidor amigo de JK – que não ficou nada feliz com o incidente) foi uma manchete histórica. Numa reportagem sobre tráfico de pessoas, um dos repórteres conseguiu um recibo da compra de um casal – “o traficante falava como se vendesse um papagaio”.

1 Comentário

  1. […] Sessão Comunicações Livres 09 (Coordenadora: Mônica Celestino) […]


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