[Sessões] Coordenada 10 – Narradores e narrativas: Jornalismo na contemporaneidade

Por Rafael Aloi

A sessão coordenada 10 pretendeu estudar e refletir a respeito do chamado jornalismo literário. Os trabalhos apresentados evidenciam que cada vez mais o jornalismo vem se apropriando de elementos da narrativa, da literatura na hora de construir seu discurso.

Monica Martinez com seu trabalho “Narrativas de viagem: escritos autorais que transcendem o tempo

"Na Natureza Selvagem", narrativa de viagem que foi transformada em filme.

e o espaço” explorou as narrativas de viagem, que são textos extremamente autorais, e vem sendo cada vez mais comum através das redes sociais que permitem que a s pessoas digam onde estão, e o que estão fazendo o tempo todo. As narrativas de viagem podem ser escritas por diversos tipos de pessoa como exploradores (Pero Vaz de Caminha), cientistas (Darwin), jornalistas e revolucionários (Che Guevara). Esses textos têm grande apelo cinematográfico e são muitas vezes incorporados por Hollywood facilmente.

As narrativas de viagem podem ter três classificações diferentes: ficcionais; não-ficcionais, que são escritas a partir de fatos reais, embora os autores possam usar recursos literários para ser mais envolventes; e mistas, produtos de ficção inspirados em fatos reais.Essas narrativas servem como agentes de transformação, uma vez que elas promovem o encontro de realidades e visões de mundo diferentes.

Alice Baroni escreveu um artigo intitulado Jornalismo (não) retórico? Um estudo de caso sobre o Abusado”, com base no romance-reportagem de Caco Barcellos. Ela diz que o jornalismo diário, convencional é essencialmente retórico, e te orienta o público para certo discurso, um conceito uma verdade, como por exemplo, no caso real do traficante Márcio Amaro de Oliveira, a imprensa da época o mostrava como um criminoso, um assassino. O livro Abusado não se fecha em uma definição para o mesmo, e possui um jornalismo não retórico, e que nos faz pensar sobre as questões mostradas, ao invés de simplesmente defini-las.

David Coimbra, colunista do Zero Hora

Eduardo Ritter em seu estudo “Jornalismo e literatura: a comunicação como cimento social nas crônicas de David Coimbra” apresentou textos do editor de esportes do jornal Zero Hora, que escreve sobre a tríade futebol, cerveja e mulheres. Esse gênero de texto jornalístico é baseado na captação de momentos da realidade, da vida ordinária. Porém em outros países  tem significados diferentes, na Espanha, por exemplo, todo texto jornalístico com comentários é considerado uma crônica.

“Os diversos Brasileiros em revista”, texto apresentado por Marta Regina Maia discutiu a revista Brasileiros, que se propõe a romper com a tradicional cobertura do eixo Rio-São Paulo-Brasília que é amplamente buscado pelos meios de comunicação mais tradicionais. A publicação consegue isso em partes, pois ainda tem muitas matérias presas a esse eixo, uma das explicações para isso seria a limitação financeira que a revista tem, mesmo assim a revista, comparada a outras, consegue apresentar, inclusive nas capas, Espírito Santo, Piauí, Pará. Marta critica a revista no sentido que ocorre uma falta de contexto nas reportagens mais humanizadas que ela apresentada, mas destaca como ponto positivo, que os textos são mais perceptivos do que intelectivos.

Mateus Yuri Passos analisou as diferenças entre o texto jornalístico de pirâmide, mais convencional, e o texto do jornalismo literário. O primeiro modelo possui uma estética jornalística de origem americana, baseado na estrutura do lead e da pirâmide invertida. Acredita-se que esse modelo é mais objetivo e polifônico e irrefutável. Já o jornalismo literário não tem estrutura fixa, é na realidade mais polifônico que o convencional, pois não hierarquiza as fontes, e também é mais focado na percepção.

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